IEC comprova relação do Vírus Zika com a Microcefalia e diagnostica os primeiros óbitos relacionados ao vírus

  • IEC comprova relação do Vírus Zika com a Microcefalia e diagnostica os primeiros óbitos relacionados ao vírus


     

     
    O Instituto Evandro Chagas (IEC) comprovou as três primeiras mortes relacionadas ao vírus Zika. O primeiro caso fatal foi de um homem de 35 anos morador de São Luís no Maranhão, com histórico de lúpus, tratamento contínuo com corticosteroides, artrite reumatoide e alcoolismo. Ele morreu em junho deste ano. “Esse foi um caso de importância crucial para o mundo todo, porque nunca tinha ocorido morte atribuída à doença causada pelo vírus Zika. Isso mostra que esse vírus não é tão benigno quanto se falava.” explica o médico pesquisador da Seção de Arbovirologia do IEC, Dr. Pedro Fernando Vasconcelos. O caso chegou ao IEC sob suspeita de dengue, doença facilmente confundida com Zika em função da semelhança de sinais e sintomas. O diagnóstico foi feito por biologia molecular utilizando a técnica da Transcrição Reversa seguida da Reação em Cadeia da Polimerase em tempo real (RT-qPCR). As amostras analisadas e nas quais foi encontrado o genoma do vírus foram amostras do sangue do paciente e de tecidos do cérebro, fígado, baço, rim, pulmão e coração. O IEC notificou o Ministério da Saúde (MS) sobre a causa da morte no último dia 27 de novembro.

    A segunda morte aconteceu no final de outubro e foi de uma garota de 16 anos, do município de Benevides no Pará, o caso também foi confirmado no dia 27 de novembro. Com suspeita inicial de dengue, ela apresentou dor de cabeça, náuseas e pontos vermelhos na pele e mucosas. A coleta de sangue foi realizada sete dias após o início dos sintomas, em 29 de setembro; essa paciente, após a infecção pelo vírus Zika, desenvolveu quadro de púrpura trombocitopênica grave e hemorragias.

    O terceiro caso foi de um bebê que nasceu no estado do Ceará com microcefalia e outras malformações congênitas. Ele não resistiu e veio a óbito poucos minutos após o nascimento. A presença do vírus Zika foi confirmada em amostras de sangue e tecidos. A partir deste caso, a associação da microcefalia com o vírus Zika foi confirmada. “Esse caso do bebê nos possibilitou vincular, de fato, com dados laboratoriais irrefutáveis, a associação causal de microcefalia com o vírus Zika. Nesse contexto, um caso é suficiente para provar a relação porque já havia suspeita clínica, existia a associação temporal do aumento de casos de microcefalia durante a epidemia de Zika e também a detecção por parte da Fiocruz do vírus no líquido amniótico de duas gestantes com fetos diagnosticados com microcefalia.” afirma o pesquisador.

    A partir dos achados do IEC, o Ministério da Saúde do Brasil confirmou as associações apresentadas e definiu que existe risco de microcefalia e outras malformações congênitas em recém-nascidos com infecção pelo vírus Zika cujas mães se infectaram ou adoeceram com Zika nos três primeiros meses de gestação. As descobertas do Instituto também subsidiaram a Organização Mundial de Saúde (OMS) na emissão de um alerta epidemiológico internacional (publicado no dia 01/12/2015) em relação ao vírus Zika em outros países. As novas descobertas demonstram a importância do combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor do vírus Zika e responsável também pela transmissão dos vírus dengue e chikungunya.

    Por Kelvin Santos de Souza – jornalista ASCOM/IEC
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