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História

A história do Instituto Evandro Chagas (IEC) começou com a chegada de Evandro Chagas ao Pará, em 1936, para estudar a leishmaniose visceral, também conhecida como calazar. Foi pioneiro no estudo dessa doença, detectada no Brasil pela primeira vez em 1934 pelo Serviço de Febre Amarela da Fundação Rockefeller, em amostras provenientes de várias localidades do Brasil. Com o auxílio do governo estadual, estabeleceu o instituto de pesquisas em um velho casarão na Av. Almirante Barroso, onde, além do calazar, foram investigadas outras moléstias típicas da região, como malária, filariose, bouba, verminoses intestinais. Em meados de 1937 já se encontravam instalados os laboratórios de Protozoologia, Bacteriologia, Epidemiologia, Anatomia Patológica e Fotografia. Já estava instalado também, ainda que provisoriamente, o biotério.


Mas antes mesmo da aprovação da lei que criaria o Instituto, Evandro Chagas estava em busca de local para estabelecer os trabalhos de campo. Isso se deu em Abaeté, onde ele determinou o ponto para a construção de pista de pouso para aviões bem como o lugar do acampamento que serviria aos médicos e pesquisadores. “Encontramos junto a uma cachoeira uma casa abandonada que nos pareceu aproveitável e que tomamos para o serviço” (Evandro Chagas, Relatório de 1936). A equipe chegava a Abaeté por meio de avião do Correio Aéreo Nacional e após 18 km em uma picada na floresta, atingia o local das pesquisas, chamado Piratuba. A região foi varrida por um sem número de expedições, visando coleta de dados para pesquisas bem como para tratamento da população. Essas expedições científicas muito contribuíram para conhecer a nosologia da Amazônia.


“29 de outubro, 5ª. Feira – “Pela manhã, em avião do Exército, voei sobre a cidade de Abaeté e a região onde deve ser instalado o serviço de pesquisas rurais, com o intuito de escolher local apropriado à construção para um campo de pouso para aviões e um outro para instalação de acampamento que vai servir de residência e laboratório aos médicos do Instituto”. (Evandro Chagas)


A equipe de Evandro Chagas era formada por médicos recém-formados e também outros jovens profissionais escolhidos entre os egressos das faculdades de Belém. Eles faziam cursos no Instituto Oswaldo Cruz e eram integrados ao serviço. “Durante toda a minha formação na Faculdade de Medicina, eu era um citadino, eu era de Belém. Nunca tinha saído, nunca tinha me metido no mato. E Evandro nos levou para viver no mato realmente (...) primeiro morávamos numa palhoça de um dos habitantes da região, que nos cedia um quarto da casa dele, onde armávamos as redes e dormíamos. O Evandro tinha levado para lá duas barracas, duas tendas de lona. Eram só dois pedaços de lona, um dos quais cobria o refeitório e o outro, o laboratório (...) durante dois anos dormimos na casa desse caboclo, comemos nessa barraca de lona e fizemos todos os exames de laboratório, as autópsias e tudo na outra barraca...” (Leônidas Deane). Do grupo inicial, saíram nomes que se tornaram destaque nas suas áreas de especialidade em todo o país, com grandes contribuições à ciência e saúde pública. Pode-se acrescentar também que as atividades realizadas no campo, desde a época de Evandro Chagas, constituíram-se no diferencial da Instituição.


          No ano de 1940, foi concebido plano de integração para a região amazônica, que tinha entre seus objetivos o combate à malária, apontada como um entrave ao desenvolvimento. Conduzido por Evandro Chagas, que era integrante da Comissão de Saneamento da Amazônia, o IPEN fez então fez um extenso inquérito no Vale do Amazonas. Vargas visitou o Instituto em outubro de 1940 e declarou seu apoio ao programa. Apesar do falecimento de Evandro, em um acidente aéreo, os trabalhos prosseguiram e conseguiu-se um mapeamento das áreas endêmicas, com cerca de 22 mil lâminas de pacientes examinadas. Como homenagem ao cientista, morto aos 35 anos, o IPEN passou a se chamar Instituto de Patologia Experimental Evandro Chagas. Somente em 1942 passou a ter o nome que conhecemos até hoje, de Instituto Evandro Chagas (IEC).


O Plano de Saneamento da Amazônia não foi adiante, mas seus dados acabaram por ser utilizados pelo Serviço Especial de Saúde Pública – SESP. Surgido em 1942, o SESP foi parte de acordo estabelecido entre os governos brasileiro e norte-americano, por ocasião da Segunda Guerra Mundial, e o IEC foi integrado a ele como laboratório central e órgão de pesquisas. Aumentar a produção de borracha era um dos elementos do acordo, já que o Japão havia bloqueado o fornecimento da Ásia. Inúmeros trabalhadores vieram do Nordeste para os seringais da Amazônia, e o SESP tinha entre seus objetivos criar condições sanitárias básicas que possibilitassem tal esforço de guerra, quais sejam, o saneamento do Vale do Amazonas e a preparação de profissionais para o trabalho em saúde pública, já que seriam abertos postos de higiene por toda a Amazônia. Passada a guerra, sua atuação no interior do país foi extremamente significativa até os anos 1990. O IEC seguirá na estrutura do SESP até que tal órgão, já como Fundação SESP, se transforme em Fundação Nacional de Saúde, em 1991. Atualmente, está na estrutura da Secretaria de Vigilância em Saúde - SVS.


Nos anos 1950, convênio com a Fundação Rockfeller possibilitou a instalação do primeiro Laboratório de Vírus da Amazônia em 1954. Instalado inicialmente no segundo andar do Casarão da Avenida Almirante Barroso, posteriormente ele foi transferido para um pavilhão construído na parte de trás do terreno, originariamente pensado para a produção de vacina BCG. Tem entre suas conquistas milhares de vírus isolados, centenas deles pela primeira vez no Brasil, dezenas associados a doenças em humanos; dentre eles pode-se citar dengue, febre amarela, febre de Mayaro e febre do Oropouche, que constituem graves problemas de saúde pública.


Dentre os inúmeros surtos de doenças a que se dedicou o IEC, um deles aconteceu em 1961, em Belém, a febre do Oropouche, cujo vírus havia sido isolado pela primeira vez no Brasil a partir de uma preguiça, capturada às margens da rodovia Belém-Brasília; outro exemplo é a síndrome hemorrágica de Altamira, que acometia somente migrantes, expostos a picadas de determinado inseto. Aliás, os projetos de construção de rodovias constituíram-se em imensos laboratórios, nos quais as equipes multidisciplinares do IEC se dedicavam à busca de novos agentes nosológicos e para estudar outros já existentes. Para a Belém-Brasília as equipes foram no início da década de 1960; Transamazônica, Santarém-Cuiabá, Perimetral norte, na década de 1970.


          Ainda nos anos 1960, convênios com a Escola de Medicina Tropical de Londres e a Wellcome Trust (1965) permitiram novamente que o IEC se dedicasse ao estudo das leishmanioses, dessa vez a tegumentar, o que proporcionou nova classificação das espécies de leishmânia na América. Com o decorrer dos anos, o IEC passou por diversas transformações: cresceu e se consolidou, colaborando especialmente no espaço da Amazônia Legal. Dispõe de laboratórios tanto de referência regional, quanto nacional e mantém importantes parcerias internacionais.


Destaque no Instituto é o uso da tecnologia de ponta em prol da saúde pública e do desenvolvimento científico. Uma área de grande crescimento no Instituto é o Centro de Inovações Tecnológicas (CIT). O CIT é voltado para o incentivo à inovação e proteção do conhecimento, com a geração de produtos, processos e serviços inovadores, buscando o desenvolvimento técnico científico regional e nacional. Contamos ainda com o Laboratório de Geoprocessamento (LABGEO), o Laboratório de Microscopia Eletrônica (LME) e os Laboratórios de Nível de Biossegurança 3 (NB3/NBA3), responsáveis por importantes avanços tecnológicos que alavancam as pesquisas na região.


Há também o Centro Nacional de Primatas (CENP), criado em 1978, que é o maior centro de Primatologia da América Latina e um dos 10 maiores do mundo. É referência nacional em criação e reprodução de primatas não humanos, além de trabalhar na informação sobre o impacto negativo da criação domiciliar desses animais e alertar sobre o desaparecimento de algumas espécies.


Temos programa institucional de iniciação científica(PBIC) e o curso Técnico de Análises Clínicas (CTLAB), esse último funcionando desde a década de 1940. Há também cursos de mestrado e doutorado na área de Virologia e, em 2016, abriu-se mais uma oportunidade com o mestrado em Epidemiologia. Outras iniciativas são a Revista Pan-Amazônica de Saúde, as cartilhas educacionais, além da Biblioteca, do Museu, do Arquivo Institucional, o que demonstra que apesar de a missão institucional ser voltada para ações em saúde, há atenção para questões de educação, história e divulgação científica.


O IEC destaca-se como um importante centro de pesquisa em uma região que possui um clima quente e úmido, propício para a proliferação de determinadas doenças e com grande variedade de agentes infecciosos. É de extrema importância um espaço como esse, trabalhando na vigilância em saúde, investigando e monitorando surtos de doenças. Ao trilhar o seu caminho, pode-se dizer que houve desafios, mas, apesar das adversidades que surgem até os dias de hoje, estamos construindo uma história de realizações e superação. Graças ao comprometimento e ao profissionalismo de todos os que trabalham e trabalharam nessa Instituição, temos como resultados grandes feitos para o desenvolvimento científico na Amazônia, para a melhoria da saúde e bem estar da população. E assim, tornando o IEC um instituto conhecido nacional e mundialmente, sempre trabalhando em benefício da comunidade.

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