Equipe do IEC investiga surto de Febre Tifoide no município de Breves no Marajó

  • Equipe do IEC investiga surto de Febre Tifoide no município de Breves no Marajó

    Uma equipe de pesquisadores e técnicos do Instituto Evandro Chagas (IEC) realiza investigação de um surto de febre tifoide (FT) no município de Breves, localizado na Ilha do Marajó, interior do Pará. O número de casos notificados variava entre 1 e 4 de março a agosto de 2015, porém, a partir de setembro, houve um aumento do número de notificações para 9 casos e chegando a 20 na somatória dos meses de outubro e novembro no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN NET). A partir da constatação, a Secretaria Estadual de Saúde (SESPA) solicitou o apoio do IEC na investigação epidemiológica da situação para a tomada de medidas de controle. A equipe do IEC foi composta por servidores das Seções de Bacteriologia e Micologia (SABMI), Meio Ambiente (SAMAM), Parasitologia (SAPAR), do Serviço de Atendimento Médico Unificado (SOAMU) e do Laboratório de Geoprocessamento (LABGEO). O trabalho foi desenvolvido em parceria com a SESPA, LACEN e a Secretaria Municipal de Saúde de Breves.

    O plano de trabalho da equipe consistiu na aplicação de questionário domiciliar e no diagnóstico de possíveis casos de febre tifoide, bem como de portadores assintomáticos através da coleta de sangue e fezes. Os métodos de diagnóstico laboratorial utilizados foram a hemocultura, coprocultura e a PCR, realizados pelo Laboratório de Enteroinfecções Bacterianas (SABMI/IEC), sob a coordenação da Dra. Daniela Cristiane da Cruz Rocha. O objetivo foi também identificar áreas de riscos pela verificação da distribuição geográfica dos casos, trabalho realizado pelo LABGEO do IEC. Além disso, servidores da SAMAM coletaram amostras de águas de beber e consumo com a finalidade de pesquisar indicadores de poluição fecal, isolar e identificar bactérias patogênicas de veiculação hídrica.


    As mesmas residências nas quais foram coletadas as fezes participaram da amostragem para avaliar a qualidade da água. Para cada residência, uma ficha clínico-epidemiológica foi preenchida, contendo dados pessoais, sociais, higiênico sanitários, de doenças atuais e pregressas e hábitos alimentares. Na análise dos resultados laboratoriais e das fichas clinico-epidemiológicas, observa-se que foram processadas um total de 76 amostras de hemoculturas, 85 de coproculturas e 122 amostras para a PCR de casos suspeitos, contatos intradomiciliares e controle da vizinhança de Febre Tifoide. Na investigação de Salmonella Typhi (bactéria causadora da febre tifoide), todos os resultados foram negativos nas amostras de hemocultura e coprocultura, provavelmente em função do uso de antibióticos pelos pacientes. No entanto, 46 resultados da PCR foram positivos para o agente.

    Nos casos em que foram identificadas cepas de Salmonella Typhi, a notificação foi feita imediatamente às autoridades de saúde estaduais e municipais conforme fluxo rotineiramente praticado no IEC. Em seguida, foi instituído o tratamento pelos médicos que compõem oficialmente a equipe técnica do estudo. Do mesmo modo, medidas de vigilância voltadas à procura de portadores intradomiciliares serão executadas normalmente como já se realiza na rotina da Instituição.


    “A Febre Tifoide tem prevalência elevada em regiões de precárias condições sanitárias e é um tema importante em saúde pública, sobretudo na Região Amazônica, onde o Estado do Pará contribui com grande parte dos casos, inclusive com a frequente ocorrência de surtos. Considerando que é uma doença de notificação compulsória, pelo seu elevado potencial epidêmico, a FT ainda é subnotificada pelas dificuldades no reconhecimento clínico e no diagnóstico laboratorial no qual se reconhece a interferência dos antibióticos no isolamento e identificação do agente causal, contribuindo para que muitos casos passem despercebidos. Assim, esforços devem ser realizados no sentido de melhorar o diagnóstico e dar maior visibilidade ao problema, sobretudo em termos de prevalência, para que se possam programar medidas mais eficazes de combate e controle da doença.” explica a Dra. Daniela Rocha.

    Por Kelvin Santos de Souza – jornalista ASCOM/IEC
    Atendimento à imprensa

    (91) 3214-2249

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Instituto Evandro Chagas
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